Na Faculdade de Direito, não há como deixar de ouvir os comentários tecidos pelos acadêmicos quanto à profissão do Advogado. A academia parece estar voltada à formação apenas de juízes. O raciocínio resume-se em: está na lei, aplica-se. Não se analisam outros fatores, não se faz uma pesquisa dialética dos casos. Há apenas uma posição e estão todos os acadêmicos no papel de julgadores dos casos apresentados. Nunca tomam parte. Não são treinados para tanto.
Decorre daí que qualquer visão diferenciada da visão de julgador é tida por sub-reptícia e desonesta. Olvida-se que a verdade é um polígono de inúmeras faces. Existe uma face para cada pessoa. Ou seja, cada pessoa tem seu ponto de vista. Não há como duas pessoas observarem o mesmo fato sob, exatamente o mesmo ângulo. Mas não se leva isso em conta. Tem-se, na faculdade, uma única verdade: a do juiz.
O mais espantoso ainda é a forma como se usa a palavra Advogado. Há expressões como: “é bem advogado, mesmo”, querendo significar que outro acadêmico está usando-se da lei para fazer algo injusto ou desonesto. Depois que comecei a estagiar com um advogado passei a sofrer esse tipo de represália. Sou estagiário de advogado porque quero; escolhi um bom advogado, entreguei-lhe um currículo e ele me chamou. Tenho passado em provas de outros estágios públicos, mas permaneço ao lado da advocacia e não tergiverso.
Supõe-se que da faculdade sairão apenas juízes e promotores, pois os advogados são desonestos. Tal pensamento talvez tenha origem na fascinação que a autoridade do juiz e do promotor exercem sobre o inconsciente das pessoas. Assim, aos olhos dos leigos, parece que é através do juiz e do promotor que se garante a justiça. No entanto, lançando-se a vista ao passado ditatorial de nosso País, vê-se que magistrados e promotores – até mesmo por sua função – estavam umbilicalmente ligados ao governo, sendo obrigados a compactuar com os desmandos cometidos. Enquanto isso, quem lutava pelos direitos do cidadão? A OAB e os advogados a ela filiados. Evidente que pela inércia da jurisdição não poderiam ser os juízes, nem o ministério público, devido a suas funções institucionais.
Além da autoridade, essas funções oferecem outros benefícios ou privilégios que atraem os estudantes que não querem advogar. Não é raro que digam que não querem advogar pois terão que “correr atrás de prazo” e como os prazos nunca são próprios para os funcionários públicos terão mais tempo. Não querem “trabalhar sob pressão”. Também há o salário, que garantirá a tranqüilidade e a estabilidade financeira. Dois meses de férias por ano.......Ah, já me ia esquecendo: há aqueles que se sentem vocacionados. Esses, sim, merecem todo o respeito.
Estas linhas não visam a desacreditar as instituições que servem à Justiça, mas apenas para mostrar que o descaso e a petulância de alguns acadêmicos ao tratar da Advocacia. Afinal, também são o juiz e o promotor cidadãos que podem vir a ter direito seu violado. A quem procurarão? A um advogado. Tenho visto não poucos juízes procurando advogados para defenderem-se contra abusos de seus superiores hierárquicos.
Ademais, quando acusam a um advogado de ser corrupto ou desonesto é necessário que se pergunte: pode ele interferir na sentença? É evidente que não. Um advogado para ser desonesto em juízo precisa do auxílio de mais alguém que lhe venda a sentença ou que esteja disposto a lhe favorecer. Um advogado desonesto é incapaz de vencer uma lide sem o auxílio de mais interessados.
Cumpre recordar que a maldade e a malícia existem no mundo, independem de profissão, sexo, idade etc. Não é a toga do juiz ou a função do promotor que lhes garante integridade. Basta assistir a um noticiário para se ter noção de que não são tão imparciais e tão isentos assim.
Para encerrar, São João compara Deus ao juiz e Cristo ao Advogado que intercede por todos. Como é de todos sabido, o crucificado foi Cristo. Deu a vida por aquilo que acreditava. Suou sangue pelos oprimidos. Bebeu o vinagre dos desgraçados. Mas em nenhum momento traiu aqueles a quem defendia, nem desistiu de sua causa.
Assim também é a labuta do Advogado, intercedendo junto aos magistrados e combatendo contra arbitrariedades do poder público. É o Advogado quem dá a vida pela causa, assim como Cristo a deu pelo mundo.
Decorre daí que qualquer visão diferenciada da visão de julgador é tida por sub-reptícia e desonesta. Olvida-se que a verdade é um polígono de inúmeras faces. Existe uma face para cada pessoa. Ou seja, cada pessoa tem seu ponto de vista. Não há como duas pessoas observarem o mesmo fato sob, exatamente o mesmo ângulo. Mas não se leva isso em conta. Tem-se, na faculdade, uma única verdade: a do juiz.
O mais espantoso ainda é a forma como se usa a palavra Advogado. Há expressões como: “é bem advogado, mesmo”, querendo significar que outro acadêmico está usando-se da lei para fazer algo injusto ou desonesto. Depois que comecei a estagiar com um advogado passei a sofrer esse tipo de represália. Sou estagiário de advogado porque quero; escolhi um bom advogado, entreguei-lhe um currículo e ele me chamou. Tenho passado em provas de outros estágios públicos, mas permaneço ao lado da advocacia e não tergiverso.
Supõe-se que da faculdade sairão apenas juízes e promotores, pois os advogados são desonestos. Tal pensamento talvez tenha origem na fascinação que a autoridade do juiz e do promotor exercem sobre o inconsciente das pessoas. Assim, aos olhos dos leigos, parece que é através do juiz e do promotor que se garante a justiça. No entanto, lançando-se a vista ao passado ditatorial de nosso País, vê-se que magistrados e promotores – até mesmo por sua função – estavam umbilicalmente ligados ao governo, sendo obrigados a compactuar com os desmandos cometidos. Enquanto isso, quem lutava pelos direitos do cidadão? A OAB e os advogados a ela filiados. Evidente que pela inércia da jurisdição não poderiam ser os juízes, nem o ministério público, devido a suas funções institucionais.
Além da autoridade, essas funções oferecem outros benefícios ou privilégios que atraem os estudantes que não querem advogar. Não é raro que digam que não querem advogar pois terão que “correr atrás de prazo” e como os prazos nunca são próprios para os funcionários públicos terão mais tempo. Não querem “trabalhar sob pressão”. Também há o salário, que garantirá a tranqüilidade e a estabilidade financeira. Dois meses de férias por ano.......Ah, já me ia esquecendo: há aqueles que se sentem vocacionados. Esses, sim, merecem todo o respeito.
Estas linhas não visam a desacreditar as instituições que servem à Justiça, mas apenas para mostrar que o descaso e a petulância de alguns acadêmicos ao tratar da Advocacia. Afinal, também são o juiz e o promotor cidadãos que podem vir a ter direito seu violado. A quem procurarão? A um advogado. Tenho visto não poucos juízes procurando advogados para defenderem-se contra abusos de seus superiores hierárquicos.
Ademais, quando acusam a um advogado de ser corrupto ou desonesto é necessário que se pergunte: pode ele interferir na sentença? É evidente que não. Um advogado para ser desonesto em juízo precisa do auxílio de mais alguém que lhe venda a sentença ou que esteja disposto a lhe favorecer. Um advogado desonesto é incapaz de vencer uma lide sem o auxílio de mais interessados.
Cumpre recordar que a maldade e a malícia existem no mundo, independem de profissão, sexo, idade etc. Não é a toga do juiz ou a função do promotor que lhes garante integridade. Basta assistir a um noticiário para se ter noção de que não são tão imparciais e tão isentos assim.
Para encerrar, São João compara Deus ao juiz e Cristo ao Advogado que intercede por todos. Como é de todos sabido, o crucificado foi Cristo. Deu a vida por aquilo que acreditava. Suou sangue pelos oprimidos. Bebeu o vinagre dos desgraçados. Mas em nenhum momento traiu aqueles a quem defendia, nem desistiu de sua causa.
Assim também é a labuta do Advogado, intercedendo junto aos magistrados e combatendo contra arbitrariedades do poder público. É o Advogado quem dá a vida pela causa, assim como Cristo a deu pelo mundo.
Ps.: O texto é um pouco antigo, não tem a finalidade de ser definitivo, é só uma reflexão.

